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Artigo NÉLSON Para que mesmo serve o plural das coisas? Quando criança, a professora nos pedia para passar frases para o plural: Ele comprou uma casa nova. – Eles compraram duas casas novas. E eu não tinha nenhuma! Para que eles queriam duas casas? Será que iriam morar separados? Depois vieram construções mais complexas. “Ele tem um chapéu que parece um pires. – Eles têm dois chapéus que parecem dois pires”. Por que, quando é ele, o tem não tem chapéu e, quando são eles, o tem tem chapéu? E ela me dizia que o chapéu (o acento circunflexo) o qual o verbo usava era para mostrar que estava no plural. Ela me disse que outro verbo também funcionava assim. O verbo vir. “Ela vem e elas vêm”. Assim não haveria confusões ao comparar os verbos vir e ver, já que elas vêm enquanto elas veem. (Pior é que naquela época este verbo também usava chapéu “vêem”). E o pires que ficava igual no plural e no singular? Para ele, não há plural. Já na explicação, a professora desferira um outro golpe mortal. Vejam: “Assim não haveria confusões...” São confusões, professora! O verbo tem de ficar no plural: “... haveriam confusões”. Nunca vi um olhar tão desanimado antes. Ela me pediu desculpas por trazer tantas informações naquele momento, mas jurou que eu entenderia. Era só ter paciência. Ela então explicou que o verbo haver era um verbo muito especial, pois, sempre que fosse usado com o sentido de ocorrer, acontecer e existir, deveria ficar no singular. O tal do haver era impessoal e não tinha sujeito. Acha que, naquela época, isso dizia algo para mim? Eu aceitava, porque a professora era muita boa com a gente. Hoje eu entendo o rosto dela. Eu já estava começando a olhar o relógio na parede e ela mandava outra. O verbo fazer também fica no singular quando indica tempo decorrido ou clima. Ela disse que este verbo também era impessoal ( assim é que ela tratava os verbos sem sujeito). Faz dois dias que não durmo. Ninguém faz os dias. Os dias passam e pronto. Por isso que não há sujeito. Da mesma forma, os verbos que indicam fenômenos da natureza também não têm sujeito. Ninguém chove, mas, quando o Pepeu fez xixi na sala, todo mundo disse que foi chuva. Ninguém venta, ninguém garoa ... eu ri muito com o ninguém venta. Venta sim. Eu vento escondidinho para ninguém saber que fui eu. Ela, então disse que, nestes casos, era tudo simbólico e mudava o sentido. Com o sentido certinho, era verdade, aí eu aceitei. Professora, por que tudo tem de ser tão complicado em nossa língua? Não bastaria colocar um “s” em tudo e pronto. Com “s” é plural e sem “s” é singular! Ela olhou para mim novamente e torceu a boca e o nariz ao mesmo tempo e disse que, se fossemos nós que tivéssemos inventado nossa língua, poderíamos fazer como quiséssemos, mas herdamos tudo de outros povos e, com a mistura, tivemos de agrupar por regras diferentes cada grupo de palavras. Ela deu o exemplo da palavra “português” que já termina com “s” e é singular. Para aproximar as regras, colocamos “es” depois de “português” e temos “portugueses”; daí: japonês e japoneses, anzol e anzóis , anel e anéis, gol e gois (ou goles). Nessa hora eu gritei “eeeepa!”. O que a senhora fez com os gols do meu time? E ela foi que riu de mim naquela hora. Escutei dela que não existem palavras em nossa língua que formem plural finalizando palavras com “LS” como eu pensava. Aprendi duramente que meu time fazia gois e não “gols”. Aprendi que poderia dizer que meu timão fez três goles em nosso maior rival. Ainda bem que consegui superar o problema de pluralizar corretamente a maioria das palavras. Mas, por mais que eu me lembre do que aprendi com ela, dizer aos amigos que o Corinthians fez dois goles, eu jamais farei.
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